quinta-feira, 7 de abril de 2011

Copiamos tragédias?

Qualquer pessoa pode perceber que a inspiração do atirador do Rio de Janeiro foi a cultura de violência própria dos Estados Unidos da América. O comportamento não é apenas parecido, um dos irmãos do atirador afirmou que ele via na TV o que ocorria no norte da América e se inspirava nos ataques tão comuns nos EUA, alguns dizem já ser parte da cultura daquele país.
Até aí tudo bem (tudo mal).  Passados os atos imediatos da tragédia, ficam as análises, as avaliações. O que vimos dos que podem fazer alguma coisa foi uma avaliação “técnica” que faz indicações de como as pessoas têm que se proteger e indica também como será a leitura e condução das iniciativas do estado quanto a possíveis novas incidências do tipo. O que fica claro é que o problema mesmo não será tocado, serão elaboradas algumas dicas para que os cidadãos possam se esconder melhor. Nisso também copiamos os Norte-Americanos.  Lá eles “tratam” o problema assim há décadas, fazendo estatísticas e criando equipamentos de “segurança” que, no fundo, acabam sendo só uma restrição à liberdade das pessoas que precisam apenas de viver. Tais ideias lembram uma velha frase do nosso excelente e pessimista Rubem Braga, são tão inúteis quanto gaiolas em um país onde não há pássaros.
Essas soluções propostas por um ‘conselheiro de segurança’ do americanizado e frio Jornal Nacional, parecem um pouco com aquela adotada há décadas pelos bancos para evitar assaltos relâmpagos: restrição ao acesso dos correntistas às suas contas, limite dos tamanhos e horários dos saques, multiplicação de medidas de segurança que beneficiam mais os ladrões (os armados, e não os donos dos bancos).
Já estamos presos, com grades, em nossas casas.
Será que as cópias que fazemos não têm limites? Será que o modo de viver dos americanos, com ipods e ipads como a única felicidade possível, é o máximo que podemos desejar?
Será possível pensar que o estilo de vida que adotamos, copiando do que há de pior, não estão por trás dessas tragédias que, lamentavelmente, parecem ter chegado para ficar?

Orsely Azevedo

Um comentário:

  1. Lucinéa Marques Marinho8 de abril de 2011 às 11:07

    Muito pertinente a posição do professor Orcely acerca do evento repercutidor da degradação do caráter sociopata do jovem brasileiro. Conforme suas idéias, atos de violência tem muito a revelar sobre a realidade do local em que estes ocorrem.
    Além da falta de medidas plausíveis, percebe-se que a frieza de um estilo de vida copiado, tem latente, a falta de uma referência que apresente às pessoas o que é essencial, a saber o exemplo ímpar da pessoa de Cristo.
    Professora Lucinéa

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