A questão tem que ser compreendida em seu âmbito, ou seja, é preciso saber do que se está falando. A questão aparentemente está colocada dentro dos limites da lógica. Dentro da lógica, que é um instrumental que tem um âmbito, um alcance muito restrito, tudo poderia ser relativizado pois vários elementos podem ser definidos como tendo o mesmo valor. Ou seja, a lógica se constrói, se desenvolve, define os seus objetos, a partir das bases que ela mesma (a lógica) põe.
Ora, mas a lógica é uma criação humana. A lógica têm lógica e isso só pode significar que essa lógica (colocada aqui em itálico para diferenciar da lógica instrumental) é anterior à outra, anterior à definição científica. Lembro que a ciência, que trabalha com conceitos lógicos, é também uma criação humana.
Alguma coisa possibilita o sentido de tudo, alguma coisa nos faz diferentes, mas possibilita que nos entendamos sobre coisas diferentes de nós: ambos podemos significar (dar sentido) às coisas e esse sentido pode ser compartilhado.
Antes da lógica científica, portanto, há o fato de já existirmos e podemos, por existirmos, falar e pensar logicamente. A existência, no sentido de já compreender o sentido de tudo que está em torno de nós, é anterior a qualquer pensar sobre a lógica. Esse existir anterior a qualquer teoria é a lógica sobre a qual falei. Não se trata de uma lógica como a outra, mas de algo que estando em nós e nós nela possibilitar a construção de relativismos, absolutismos, dúvidas e certezas. É preciso compreender que antes (temporalmente também) de qualquer atitude pensada, lógica estamos em um mundo de sentido e que é a partir dessa localização no mundo que podemos articular qualquer definição de coerência, aceitação de qualquer lógica, avaliação de qualquer verdade. É preciso pensar desde uma ontologia que articule o sentido anterior a qualquer disposição para a construção de “lógicas” que deem sentido aos argumentos. Proposições verdadeiras não importam.
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