quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre as nossas tragédias

No final do século XIX e inicio do XX, o grande mal que atingia a humanidade era a histeria, bem estudada por Freud. Antes disso a humanidade conviveu com outras tantas "maldições", como a loucura no final da idade média, a sífilis, a lepra e mais recentemente a Aids.
Hoje passamos por uma profunda crise da civilização, reflexo da impessoalidade, individualismo e desumanidade de um tempo que juntou as pessoas fisicamente em cidades mas tornou todos praticamente inimigos uns dos outros.
Dentro e a partir desse pano de fundo é que podemos pensar problemas como a fome, os assassinos em série como esse do Rio de Janeiro.
A tragédia existe desde que o mundo é mundo, só que tragédia nem sempre foi sinônimo de desgraça. Entre os antigos a tragédia tinha algo de bom, ela tinha a ver com dor mas também com o ato de aprender com as tragédias. Hoje as tragédias são apenas sangue e dor, nada mais.
Manifestação vazias de significado como essa desse rapaz do Rio de Janeiro são sinais não de uma psicopatia individual, como queria o Governador Sérgio Cabral, mas o sinal distintivo de um modo de vida que há tempos vem perdendo totalmente o sentido, o nosso modo de viver.

Orsely Azevedo



Um comentário:

  1. "A tragédia não foi ainda maior, pela intervenção do sargento que feriu o psicopata, que atingido, cometeu o suicídio", palavras do governador do Rio, Sérgio Cabral.
    Pronto, tudo resolvido.
    Este é o problema maior.
    Acharmos porque o cara se suicidou a coisa está resolvida.
    Que termos prendido o maníaco do parque, Suzane Richthofen, Mateus Meira ("o atirador do cinema") resolvemos o problema.
    Não queremos investigar as causas que geraram a causa do/dos problema/as.
    Vamos aprender com os antigos, aprender com as tragédias.

    Antonio Filho

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