sexta-feira, 9 de março de 2012

DO RELATIVO E DO ABSOLUTO



A questão tem que ser compreendida em seu âmbito, ou seja, é preciso saber do que se está falando. A questão aparentemente está colocada dentro dos limites da lógica. Dentro da lógica, que é um instrumental que tem um âmbito, um alcance muito restrito, tudo poderia ser relativizado pois vários elementos podem ser definidos como tendo o mesmo valor. Ou seja, a lógica se constrói, se desenvolve, define os seus objetos, a partir das bases que ela mesma (a lógica) põe.
Ora, mas a lógica é uma criação humana. A lógica têm lógica e isso só pode significar que essa lógica (colocada aqui em itálico para diferenciar da lógica instrumental) é anterior à outra, anterior à definição científica. Lembro que a ciência, que trabalha com conceitos lógicos, é também uma criação humana.
Alguma coisa possibilita o sentido de tudo, alguma coisa nos faz diferentes, mas possibilita que nos entendamos sobre coisas diferentes de nós: ambos podemos significar (dar sentido) às coisas e esse sentido pode ser compartilhado.
Antes da lógica científica, portanto, há o fato de já existirmos e podemos, por existirmos, falar e pensar logicamente. A existência, no sentido de já compreender o sentido de tudo que está em torno de nós, é anterior a qualquer pensar sobre a lógica. Esse existir anterior a qualquer teoria é a lógica sobre a qual falei. Não se trata de uma lógica como a outra, mas de algo que estando em nós e nós nela possibilitar a construção de relativismos, absolutismos, dúvidas e certezas. É preciso compreender que antes (temporalmente também) de qualquer atitude pensada, lógica estamos em um mundo de sentido e que é a partir dessa localização no mundo que podemos articular qualquer definição de coerência, aceitação de qualquer lógica, avaliação de qualquer verdade. É preciso pensar desde uma ontologia que articule o sentido anterior a qualquer disposição para a construção de “lógicas” que deem sentido aos argumentos. Proposições verdadeiras não importam.

domingo, 22 de maio de 2011

violência contra amulher

Os dados são do IBGE DISPONÍVEL EM: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1717&id_pagina=1


Em 2009, 41 mil mulheres relataram ter sido vítimas de violência
A Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) registrou, em 2009, por sua Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), quase 41 mil relatos de violência contra a mulher, o que representou 10,2% dos atendimentos, que incluem pedidos de informação, prestação de serviços, reclamações, sugestões e elogios. Do total de relatos de violência, cerca de 22 mil (53,9%) referiam-se à violência física e mais de 13 mil (33,2%) relatavam violência psicológica, enquanto 576 (1,4%) eram casos de violência sexual.
Vale destacar que, no Brasil, dos 5.565 municípios existentes, apenas 274 contam com atendimento judicial especializado na questão de violência doméstica e familiar contra a mulher. O maior número deles está no estado de São Paulo, com 41 municípios que contam com este serviço, seguido de Minas Gerais, com 26. Distrito Federal e Amapá não oferecem esse tipo de vara especializada. O número de município com delegacia de polícia especializada no atendimento à mulher é um pouco mais alto, 397 em todo o país, sendo 120 no estado de São Paulo e 49 em Minas Gerais. Roraima tem este tipo de unidade de segurança em apenas um município.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

AS VERRUGAS E OS SONHOS

Esses dias uma amiga me deixou antever uma angústia, uma luta interior. Para mim, tudo o que dizia tinha a ver com as expectativas que o mundo tinha a respeito dela. Precisava não fracassar. Aceitava, sem dúvida, um determinado modo de vida como sucesso, o contrário disso seria derrota. Entendia que precisava conquistar algumas coisas, ter realizações.
Não dei conselhos: ela não me pedia àquele instante. Sem dizer a ela mas retomando o assunto, eu diria agora que esse vazio é interior e não pode ser preenchido por uma coisa exterior, seja a glória, um automóvel ou um bom emprego. Obviamente que o mundo é a fonte de onde brotam os critérios de sucesso e fracasso.
A forma de convivemos com essas coisas é não pensar nelas, é nos determos nas novidades que brotam a todo instante: elas nos divertem e nos ajudam a não pensar em nós mesmos. Nos enganamos mas isso pode dar uma sensação de conforto.
Mas aquelas coisas construídas na nossa história, escondidas ou reconhecidas, sentimos com um sentido interior que não é audição, visão, fato, olfato ou paladar e corroem boa parte dos nossos momentos sozinhos e não podem ser extraídos chegando a constituir uma angústia. Essa angústia não é pelo que temos e sim pelo vazio, pelo que não temos, pelo nada que sentimos. As marcas que formam isso não podem ser retirados porque são essas coisas que nos faz ser como somos hoje, preocupados com isso e desejosos de nos livrar disso que nos tornou assim. Nos livrar não nos livramos, porque não podemos eliminar nossa história, podemos tentar fingir que não houve.
Uma verruga ou um sinal de carne incômodos podem ser tirados dessa parte de carne que carregamos e que apelidamos de corpo, mas as marcas da alma fazem parte de nós muito mais que uma úlcera ou aquele medo de baratas. Na verdade aquelas coisas interiores são quase sempre bem antigas, só que esquecidas. Abandonadas pela consciência, continuam a exercer sua influência e determinar nossas escolhas, nos guiar para os nossos erros e acertos.
Ora, dirá a minha amiga, de qualquer forma sempre erramos ou acertamos, então essa nossa história que determina nossas vidas no final não muda nada. Bem, eu concordo que sempre acertamos e erramos. A grande diferença está no fato de que essa força tremenda é quase sempre completamente desconhecida, forte e perigosa porque é desconsiderada. Ao agirmos, decidirmos, escolhemos sem saber que somos determinados por aquilo que ‘resolvemos’ esquecer, não reconhecemos nossos erros e corremos o risco de repetir eterna e inconscientemente os mesmos equívocos.
Um caminho seria ter consciência da própria história, por mais complicada e dolorosa que seja, e compreender nossas escolhas como o resultado do que fomos. Isso que fomos influencia o que somos e aquilo que pretendemos ser.
Por esse caminho continuaríamos errando, mas poderíamos ser conscientes dos erros e tentar melhorar.
Orsely Azevedo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ÉTICA , EDUCAÇÃO E O ESPÍRITO CIENTÍFICO

A nossa chamada ciência moderna não é uma atividade autônoma. Por mais óbvio que possa parecer, é importante dizer que a ciência não pensa, já que ela não existe independente da vida de cada um daqueles que fazem ela acontecer. Ela é realizada por seres humanos tanto quando é utilizada na fabricação de coisas (produtos) como quando realiza atividades especializadas (serviços). Dentre as coisas produzidas pela ciência estão os celulares, dentre os serviços a educação enquanto atividade dos professores.
Ao elaborar uma nova equação matemática que permite uma melhoria das telecomunicações, o cientista possivelmente colabora para o desenvolvimento de equipamentos de telefonia. O cientista não tem um interesse maior que esse: permitir maior e mais útil produção. Ora, antes de ser cientista quem faz ciência é uma pessoa, com interesses pessoais. Ele não é um representante dos interesses de uma religião, uma cooperativa ou uma confraria chamada ciência. Aquele que faz ciência tem uma vida, pode ter filhos e esposa. Certamente tem interesses pessoais, uma forma própria de compreender a religião, uma interpretação da vida política, às vezes gosta de futebol. Ele, enfim, pensa nos filhos e em outros produtos diferentes dos celulares que sua família precisa. Essas outras coisas que ele tem interesse em comprar também são planejados e fabricados por cientistas e técnicos como ele.
Repito, a ciência não tem uma alma, não tem uma intenção, não tem um interpretação ou uma finalidade para o mundo, porque se ela tivesse isso, teria também uma personalidade. Intenção, finalidade e capacidade de interpretar são características humanas e a ciência não é humana, por mais que seja realizada por humanos. Na prática, a ciência produz coisas a partir da contribuição, em parte isolada e competitiva, de cientistas que agem como jogadores disputando novas descobertas. As novas descobertas, que sejam úteis e vendáveis, são o que realmente se disputa. A fama, o dinheiro, necessidades materiais e outras coisas é que movem os cientistas. Portanto, na prática eles não planejam as suas ações pensando no bem coletivo. Para aquele que trabalha com ciência (mas também é gente), sua vida é o mais importante.
Em mundo em que as coisas, os produtos e serviços, viraram negócios, cuidar da vida é cuidar de ter coisas à disposição. O meio para se adquirir essas coisas é o dinheiro. As pessoas buscam juntas (já que moram em cidade, trabalham em empresas), e quase sempre competindo, ter mais e mais coisas. Esse é, na prática, o que tem resultado do nosso espírito científico.
Ora, para quem vive na sua estressante e até angustiante vida cotidiana em que impera o espírito científico, a ética é uma coisa complicada e até sem sentido.
Então, esse espírito científico parece poder atingir a prática daqueles que dedicam a sua vida à educação. Isso porque essas pessoas também têm a sua vida diária em quase todos os aspectos marcada pela ciência. Como consequência, educação parece que hoje tem mais a ver com aprender ciência do que com aprender a ser uma pessoa de valores éticos. É mais importante fazer mil coisas e bem específicas (vivemos em um mundo de especialistas) do que ter a capacidade de avaliar, refletir, aceitar em parte ou recusar alguma coisa oferecida como verdadeira e boa pela ciência. Parar para pensar sobre o que se tornou o mundo em que vivemos pode significar uma imensa perda de tempo, perda de competitividade. Precisamos estar alertas para não sermos ultrapassados por outros que, como nós, se dedicam a viver e conquistar mais coisas. A única coisa que pode e tem sido esquecida é a vida. Viver não é mais importante.
Importante pensar que a educação é anterior à ciência. A data de nascimento da ciência não é tão antiga quanto o nascimento da educação. Vamos eliminar a ciência então, certo? Errado. Não se está aqui lutando contra a ciência, mas a favor do ser humano. É preciso que a ciência seja capaz de ter um freio. O freio, o limite, é o ponto em que ela começa a, disfarçadamente, eliminar o que há de mais humano em nós. A educação é aquele processo a partir do qual podemos lapidar a nossa capacidade de fazer escolhas autênticas, podemos permitir ir tão longe quanto a nossa capacidade de sermos humanos nos permite.
Orsely Azevedo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Resposta ao amigo Ribamar Silva


Como não gostar do vosso texto, velho/bom amigo e referência? Não há como não gostar, entendendo-se por gostar algo gostoso.


Não hei de comentar.

O fato de eu desconcordar com algumas tão sutis ideias que colocas no teu texto não poderá implicar em uma divergência: resultará em um respeitoso silêncio. Não poderei a-por a minha compreensão às tuas. Assim, aceito como o impossível presente qualquer divergência minha ao que, em data tão sublime e por motivos tão nobres, fez com que pegaste da pena. Vou apreciar o gosto. Não me fará mal.
Bem, como tranquilizador, para mim, está o fato de que talvez compartilhemos fins iguais. Poderia dizer, e seria tão doce como o ósculo -obviamente metafórico pois sabes bem dos meus pendores machistas - a que tão oportunamente te reportas, que eu concordo. Mas talvez não tenhamos a mesmíssima coisa como o fim. Não é nem que eu pense/deseje/almeje alguma coisa muito próxima do que tu, na vossa deduzível organização linguiístico-racional: pensamos as mesmas coisas.
O desarcordo talvez ganhe força quando eu passo a crer que os meios de compreender são importantes para a relação que teremos com o resultado do que procuramos.
Não, não concordamos com os meios e para mim os meios influenciam, constroem, determinam os fins.
Não concordamos nos meios nem nos fins. Nos comunicamos e não nos entendemos.
Mas você é o grande amigo que tenho.
Mas como disse, não comentarei. Li e gostei, mas você me preveniu que se tratava, como dizem os de além-mar, de uma partida, uma brincadeira.
Guardo minha viola para outra festa.
Dos dois que podem mandar lembranças... mando eu abraço à D. Bete, o Ariano te manda um conselho quanto ao cigarro. Você pode me mandar conselhos.
o amigo, Orsely Azevedo

Minha opinião

O ser humano costuma ser definido como humano, não a partir de sua totalidade, mas de uma de suas característica, como por exemplo, quando se diz que o indivíduo da espécie homo sapiens é humano, é porque é racional. Outra característica distintiva do ser humano dos demais animais é a linguagem. O ser humano é um ser de linguagem, um ser de comunicação.
Existem muitas formas de comunicação utilizadas pelo ser humano que lhe permitem expressar seu pensamento, seus sentimentos e seus desejos. Então a comunicação se impõe e se dispõe como uma forma de expressão humana, mas também de outros animais, dentre eles os insetos.
O ser humano se expressa (se comunica) através de formas de comunicação verbal e não-verbal. Uma das formas de comunicação não-verbal utilizadas pelo ser humano é a trofolaxe, cuja forma de comunicação talvez tenha aprendido com as formigas.
Explica-se: a trofolaxe é uma forma de comunicação química utilizada por insetos sociais como a formiga para comunicar a outros elementos de sua espécie, suas necessidades individuais e coletivas. Para que a comunicação ocorra, dois indivíduos encostam as antenas umas às outras e as movimentam, como que numa espécie de beijo.
Pois bem. Hoje é o dia de uma forma de comunicação humana não-verbal muito expressiva: o beijo, expressão característica dos que têm muito a comunicar em termos de sentimentos e desejos, cujas palavras são incapazes de expressar em toda sua plenitude.
Por isso, os amigos se beijam. Por isso os amantes se beijam. Antes do beijo se constituir como uma forma de expressão enigmática, o beijo dos amantes se caracteriza como uma expressão enzimática.

Ribamar Silva

Sobre a Dor

A dor inspira o poeta a encontrar uma nova flor,
Inspira uma abertura para a própria vida,
Inspira alegria
A dor é inspira dor.